Destreza


No escuro junto à janela,  
o mar respira atrás da cortina —  
um sonho molhado domina.  
ninguém ergue os meus pés, lúcida.  
Escrevo por um motivo:  
ofereço ao tempo as minhas fantasias  
como quem cospe a asfixia  
devagar.  
 
A noite do quarto e a de fora  
têm o mesmo vício.  
Cair é um êxtase sem rede,  
uma arte menor que aprimoro  
na sombra —  
com a maldade de quem sabe  
que nenhum ombro espera,  
e ainda assim  
morde o instante  
lentamente...  

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