Amanhã Fingido
Hoje o vento insiste. As ondas quebram o resto de verde. A primavera troca as cores da região. Eu troco de pele. Ontem quis não sentir. Tua mão chegou até onde o corpo começa a trair. Anjos beijam bem. Prefiro morder. O corredor é longo. A porta que abri não era saída: era o tempo fingindo de amanhã. Na cama, ávida, penso na janela. Desisto de voar. Cair é mais exato. A lua sobe. A lua desce. Amo o esforço sem prêmio. E se tudo ruir... é bom ruir devagar: um perfume tardio, uma flor que só devora, um beijo atrasado, um vício elegante de quem ama o meu fim. E depois? Depois é silêncio com rendas e vermes.