O silêncio não nos veste


Restou a espuma fria nas taças.
Ele partiu entre os cães.
No céu, uma flor verde
quebrou o silêncio.

Tudo cansa com ruídos.
A lua corta de esguelha
o rosto de quem guarda
amor demais na boca —
e não diz.

Dançam na cozinha.
Sorriem nos jardins.
Eu já não suporto
o brilho morno das festas.

E ainda assim
eu sei que é tarde.
Sorrio. O tempo não volta.

Pela manhã, agitação,
provações...
o vidro seco do silêncio,
e todos nós, sem adornos,
somos refletidos com precisão.  

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