Meu coração é um astro tardio, um pulsar de fim de escuridão. Minha gravidade é um canto raso, que atrai somente a própria solidão. Mas há em ti uma força mais profunda, um desejo que curva a luz. E eu — matéria que sonha com o centro — me desfaço no que me reduz. Não é um colapso: é uma entrega. A minha carne, um horizonte. O teu toque — singularidade — o ponto onde o tempo me afronta. E no momento em que me quebro, nesse súbito e doce espasmo cósmico, sou finalmente consumida pelo teu silêncio abissal e místico. E eis que decifro o código antigo: o teu desejo, um códice negro e quente. Na asfixia, achei o assombro — a assinatura do amor no meu dente. E nós — temiamos o fim — agora vemos: o êxtase é se deixar consumir. Eis que compreendo: o segredo do abismo era o amor que se inventa ao ser destruído. E no teu centro, onde eu me perco, encontro, enfim, meu próprio grito — transformado em algo primordial, no desmedi...