Chuva fria. Escuridão. Verônica à espreita. O tempo cede. Ela é o gelo. Pele, sombra. Cabelos de noite. Sorriso, abismo. Amor: sua trama. Tece destinos. Manipula os fios. Almas se curvam. Vidas se perdem. Pague a bruxa. Ouro inútil. O fim te chama. A vida, nada. Seu olhar, desejo. A chuva, sua batida. Controle: sua teia. O mundo em sua mão. Da concha... planeja.
Nunca se sabe. O sol nasce, a bruxa acordada. Brinca com a decoração? Ou busca o ruído de um cometa. Pó. Estática. As conversas loucas dos demônios — aqueles que dominam os sonhos. É um êxtase que despenca. A alucinação ainda é doce, e eu, de costas para o sol. Que desperdício de luz. Tão cheia de vida... Que tédio. Vou observar em silêncio.
O tempo está lindo. Só do frio é que não disfarço. Sorrio para o lago: que espelho tão bem-educado. O mar devolve-me uma alegria boba e salgada. Depois o desejo: resta uma aurora gentil do amor. Quase um capricho. A poesia é a minha fuga preguiçosa e rendosa. Tento fugir do lirismo, mas ele me despenteia e eu gosto. Tudo o que interessa é proibido e doce. Vou dormir um pouco, ou rir de mim ao longe. Tu tens medo? Somos apenas uma louca com um laço de fita dourada.