a poeta rasga o ar parado — com um beijo. coração azedo. a bruxa mente ao vento. sua voz é um nó entre gelo e sede. peito que bate contra o tempo, cabelo preto que o vento castiga e afaga. beleza maldita, e ela sabe... fica, não responde — e é só isso.
No escuro junto à janela, o mar respira atrás da cortina — um sonho molhado domina. ninguém ergue os meus pés, lúcida. Escrevo por um motivo: ofereço ao tempo as minhas fantasias como quem cospe a asfixia devagar. A noite do quarto e a de fora têm o mesmo vício. Cair é um êxtase sem rede, uma arte menor que aprimoro na sombra — com a maldade de quem sabe que nenhum ombro espera, e ainda assim morde o instante lentamente...