A xícara fria na mesa junto à janela, que esqueci outra vez. Esqueceste-me também, na janela junto à mesa, foste frio como a tempestade de um início de tarde. Mas quando a garoa cai e o vidro embacia, tua mão encosta nos meus lábios. A paisagem se desfaz em lágrimas, e tu olhas com saudade o que não volta, sussurras Verônica e beijas Ayalah como quem se despede da promessa. E eu sei que cair contigo é um pequeno absurdo, um êxtase cálido que não pede sentido. Amanhã direi: foi nada. E esse nada continuará.
Se a bruxa é apenas a bruxa e o homem um fio seco prestes a romper... porque ele sai, devora as ilusões buscando o prazer de se perder? deixa as promessas — pensamentos acesos no nevoeiro — refletirem no chão enquanto o desejo nesse vício doce é uma lenta e bonita agonia. Sob a névoa o tempo é veneno... torna-se absoluto um riso que voa e não sobra ninguém... as lesmas de pedra arrastam seu rastro viscoso — esforço absurdo e belo na trilha úmida onde o avanço não é um início e o final não é uma chegada.