Nem o fumo, nem o vinho ousam, meu demônio, saciar meus desejos. És o inferno que se bebe no meio de um olhar. Mas contigo não há máscaras — há piche, enxofre, uma chama fria onde meus delírios vão crescer em mentiras e desaparecer. Oh, queima-me, infiel, sem promessa de alívio. Não sou o que queima ao fogo: desejo. Sete vezes te beijei e cada beijo foi uma maldição. Não sou a bela que suporta o ar rarefeito para além deste lençol. Sou a que queima agora, pálida entre os teus dedos, e nessa queima breve tudo se revela. Levo a chama nos olhos e nada peço depois. Teu inferno não redime nem castiga — apenas é. E eu, que sou tua, em elegância desfio-me onde o destino finda.