Anjo Caído


Nem o fumo, nem o vinho ousam,
meu demônio, saciar meus desejos.
És o inferno que se bebe
no meio de um olhar.

Mas contigo não há máscaras —
há piche, enxofre, uma chama fria
onde meus delírios vão crescer
em mentiras e desaparecer.

Oh, queima-me, infiel,
sem promessa de alívio.
Não sou o que queima ao fogo: desejo.
Sete vezes te beijei
e cada beijo foi uma maldição.

Não sou a bela que suporta o ar rarefeito
para além deste lençol.
Sou a que queima agora,
pálida entre os teus dedos,
e nessa queima breve
tudo se revela.

Levo a chama nos olhos
e nada peço depois.
Teu inferno não redime
nem castiga — apenas é.
E eu, que sou tua,
em elegância desfio-me
onde o destino finda.  

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