Gosto de Eternidade
deuses brincam de inventar derramamentos
e eu me derramo no limiar
o mundo são vermes
são lentos
mas sou eu que vou jogar
não podemos esperar um pouco?
— pedi
mas a morte, coitada, já tinha mentido para todos
tudo é compra e venda
calei-me
não és tu que me apanhas
uma gota de consciência
a última
bebo devagar
só para passar a eternidade
só para enganar o tédio do inferno
lavei os pecados
recomecei
e continuo aqui
com este seixo liso entre os dentes
aceito
— e a indulgência virá depois do inverno
talvez
sorrio
afinal
nem sequer matei o tempo
e já me cobram o final