Rasgada


A memória repousa vazia.
Nossos dedos imitam o gesto
de beber o tempo.

Sorriso que ensaiei
diante do espelho embaçado.
A alma do avesso —
um vestido rasgado.

Amar é um verbo
que conjugamos no escuro
com medo da luz.

O café esfria
enquanto matamos as horas.
Cada gole adiado
é uma pequena escapatória.

Mas às vezes
— só às vezes —
tua mão distraída
toca a minha
e eu quase acredito.

Quase.  

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