A Insustentável Leveza de Ser
A verdade fere os olhos.
Corta a luz.
Que vá quem quer.
Que fuja quem teme.
Nós ficamos.
O corpo é o tempo.
A carne, o agora.
O resto, o nada.
A fome que me come é teu desejo,
e a tua boca é a minha fome.
Fomos feitos no fogo, no acaso,
e o que em nós se toca, não se explica.
No chão deste quarto, o imundo
é um deus que nos ama e nos mata.
Eu aceito, tu aceitas, e o mundo
é esta queda lenta que nos ata.