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Lugar Nenhum

Não me arrependo. Não. Nem da luz que doei, nem do veneno que bebi. Tudo se desfaz em épocas. O desespero alheio é um copo cheio que deixo transbordar. Às vezes, a vida é só um vago lembrete do que não somos. O que começa e acaba é do tempo. O resto é este silêncio, um êxtase raso, um sabor no sangue — é romance com o abismo. Nada importa. Nada. Que doce, esta queda.  

Frenesi

O amor é mudo. Só retorna o que gritamos.  Inventamos o resto.  Amor é a casa em chamas onde dormimos.  É a sombra no vão da porta.  Chamas a fera e ela vem com dentes doces.  Tua boca na minha meu fio de prata partido.  Vigília no teu corpo de carne e osso.  O delírio: beijo teus lábios com a boca de todas.  Até que o fogo nos revela o único êxtase que importa:  és meu vício e minha absolvição neste inferno de brasas.  

Meu Mundo

Luz é o escuro que te ofereço, neste entardecer perfumado. O tempo aqui não vigia, ele apenas passa.  Estrelas secas, sem piscar. O vácuo é um vidro polido, deliberadamente gracioso, como o punhal no veludo.  A beleza é um erro de cálculo. E eu vim cobrar o meu sol.